PAULA KNUDSEN É ROTEIRISTA. 

JÁ FOI JORNALISTA.

PENSA EM UM DIA VIRAR VENTRILOQUISTA.

mora em são paulo.

Cale a boca e jogue (um post sobre diálogo)

Cale a boca e jogue (um post sobre diálogo)

Semana passada eu estava no Rio de Janeiro. Teve céu cinza, chuva e médias abaixo dos 23 graus. Minha gratidão vai aos cumulonimbi que participaram desse esquema. Achei sucesso.

Passei a semana na tal cidade maravilhosa dando aulas básicas de ferramentas de roteiro para os roteiristas contemplados pelo edital de laboratórios do Prodav.

Tentei entuchar o máximo que consegui em 7 horas e meia de palestras. Não usei todas as palavras do Houassis mas, tenho certeza que desperdicei várias como sempre. 

No final das contas, a coisa mais útil que eu disse a semana inteira foi: "assistam Se Meu Apartamento Falasse*. Se já assistiram, revejam, em loop de preferência."

Falei isso na aula sobre diálogo. Devia ter falado isso em loop também. Pensei em mostrar o filme três vezes e meia para ocupar as sete horas. Como ia ter gente achando que eu estava de sacanagem e querendo economizar energia dei aula. Porém, a verdade é que não tem aula que eu seja capaz de dar que ensine melhor do que assistir esse filme.

Disponibilizo aqui minha aula sobre diálogo e sugiro para quem se empolgar que a leitura da aula seja precedida por uma sessão do filme (que está disponível no Netflix).

Que esta seja seguida por uma leitura do roteiro (é uma transcrição mais ou menos precisa do original. Infelizmente o original não foi scaneado por nenhuma boa alma).

E depois reassista o filme analisando como o subtexto é criado (anote objetos e fraseados cujo significado evolui com a trama, segredos entre os personagens, etc).

No final, a realidade interna da história é tão poderosa que para bom-entendedor meia palavra literalmente basta. 

Com um passe de mágica de roteiro nível quíntuplo carpado abraçando o dedinho do pé e cantando em latim, o diálogo que segue transforma-se em um dos momentos mais românticos - e brilhantes - da história do cinema. 

Fran: Cadê o baralho?

Baxter: Ali. O que aconteceu com o Senhor Sheldrake?

Fran: Vou mandar um bolo de frutas pra ele todo Natal. (beat) Corta.

Baxter: Eu lhe amo senhorita Kubelik.

Fran: Três. Rainha.

Baxter: Você me ouviu senhorita Kubelik? Eu lhe adoro.

Fran: Cale boca e jogue.

*Se Meu Apartamento Falasse (1960, dir. Billy Wilder, rot. Billy Wilder e I.A.L. Diamond)

p.s. essa é minha opinião. Vai que você não gosta do filme. E de chocolate, e de filhotes de gato e de ser feliz. É super possível.

 

 

TODAS AS AULAS EM UMA PASTA SÓ

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Cena ou não cena, eis a questão

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